quarta-feira, 16 de setembro de 2009
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A proposta da «escolarização do indivíduo-pessoa para a construção da cidade educativa» aponta para um ensaio de resposta à questão «que sistema educativo?», mas necessita, evidentemente, de muita clarificação.
É evidente que algumas alternativas aparecem já bastante claras, por exemplo, pretende-se chegar a uma «cidade educativa» como alternativa à «cidade económica» ou à «cidade-política» ou à «cidade do bem-estar social». Isto é, pretende-se fundamentar o organismo social na educação, ou, se se quiser, pretende-se que o sub-sistema social predominante seja a educação. Que tem esta proposta de novo em relação aos sistemas sociais actualmente existentes? É o que vamos ver resumidamente.
Na época histórica actual, identificam-se com alguma facilidade três modelos de sistemas sociais. São os sistemas sociais que se aproximam mais ou menos do modelo de sistema social que tem como sub-sistema predominante a produção de riqueza – o económico. Há depois os sistemas sociais que têm como modelo a realização de um sistema social que tem como sub-sistema predominante a luta de contrários até se chegar à vitória do proletariado – a politização. E finalmente um outro grupo em que o modelo de sistema social para que se caminha é a realização do maior bem estar social possível, através das mais diversas formas de promoção desse bem-estar.
Ora, é sabido que todos esses sistemas sociais esgotaram as suas possibilidades. Senão vejamos o que acontece hoje nos ditos países capitalistas ou neo-capitalistas, nos países socialistas e mesmo nos países do dito bem-estar social, como são os países nórdicos. A crise grave é patente, não é preciso prová-lo.
Não deixa porém de ser curioso que, na hora de crise, todos fazem um apelo aos meios educativos. Há crise económica, pois bem, há que educar as pessoas para que aprendam a poupar, reconvertam os seus hábitos, racionalizem o trabalho em ordem a minimizar os custos, etc., etc.; há crise no combate pela ideologia, pelo partido, não há melhor solução: sessões de «esclarecimento», estudo dos textos, mentalizar, educar, em suma; as reformas dadas muito cedo são causa de depressões, de suicídios, as pessoas têm dificuldade em não ter dificuldades, mas qual é a dificuldade? Educam-se para isso... E aí está e pedagogia da velhice, a pedagogia dos tempos livres, etc., etc..